Por que a “Justiça Cósmica” não funciona como imaginamos?

Por que a “Justiça Cósmica” não funciona como imaginamos?

A nossa maior fonte de frustração com a realidade, vem de uma expectativa profundamente enraizada, e com base apenas em crenças: a de que o universo opera sob um sistema de justiça retributiva – onde as ações “boas” serão recompensadas, e as “más” serão punidas, de forma linear e compreensível.

Esperamos um mundo que funcione como se tivesse um grande tribunal cósmico de fundo, onde cada ato tenha como resultado uma sentença ou recompensa divina. Não costumamos nos questionar, mas será que essa expectativa faz sentido? Ao observarmos a vida, vemos inúmeros exemplos que contradizem essa lógica:  encontramos pessoas bondosas que passam por grandes provações, e indivíduos de carácter bastante duvidoso, que parecem prosperar. Isso gera uma sensação de injustiça e desalento.

A razão para esta aparente desconexão é, quando descoberta, bastante simples: o sistema não é um tribunal. É uma escola.

O mundo lá fora, o que chamo de RV Terra (Realidade Virtual Terra), tem um mecanismo de funcionamento que não obedece às nossas expectativas humanas de justiça. Não é um ambiente que atua com base em recompensas e castigos, pelo que consideramos pessoalmente ser bom ou mau comportamento. Isso não tem nada a ver com a realidade lá fora…

Trata-se de um laboratório de aprendizado positivo, onde existem apenas situações. Estas são geradas pela interação das nossas escolhas com as escolhas alheias, e pelos resultados dessas escolhas e interações.

  • O mecanismo não é julgamento, é feedback.
  • A moeda não é punição, é consequência.
  • O objetivo não é equilibrar uma balança, é oferecer oportunidades de crescimento.

Toda situação assim criada contém, em seu núcleo, uma oportunidade de aprendizado e expansão da consciência. Neste ambiente, nada nos é imposto de forma arbitrária; tudo é cocriado por nós mesmos, através das intenções, crenças e escolhas que fazemos, e pelas consequências naturais que daí advêm.

O resultado não é um veredito de “inocente” ou “culpado”, mas sim experiências e oportunidades.

Neste sistema, avança quem aproveita as oportunidades para aprender e evoluir, para se tornar mais amoroso, menos temeroso e menos julgador. Sofre mais quem desperdiça as oportunidades, resiste às lições e insiste em repetir os mesmos padrões de pensamento e ação, por vezes à exaustão.

No final, é bem simples… só não é necessariamente fácil chegar a compreender e internalizar completamente esta mudança de perspectiva. É um processo de trocar a pergunta “Por que isto está acontecendo COMIGO?” pela pergunta muito mais poderosa: “O que esta situação está a tentando ensinar SOBRE MIM MESMO?”

Tudo é sobre autoconhecimento, pois conhecer e compreender a parte que somos, será o único caminho para vislumbrar o que pudermos também do Todo.

Boas reflexões,

Mario Jorge Pereira dos Santos
Engenheiro, buscador de autoconhecimento, tradutor oficial do físico e pesquisador da consciência Tom Campbell.
[email protected]

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