Nick Bostrom – Há boas chances de que você seja uma pessoa simulada (em uma realidade virtual na Matrix

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Há boas chances de que você seja uma pessoa simulada (em uma realidade virtual na Matrix).

Há boas chances de que você seja uma pessoa simulada – No início do século XX, havia uma grande resistência à novas ideias. Mesmo a famosa teoria da relatividade, de Einstein, foi fortemente rejeitada a princípio. Somente foi levada a sério quando seu criador conseguiu provar seu ponto de vista de forma prática: através da medição do desvio dos raios de luz das estrelas que passavam próximos ao Sol durante um eclipse. Hoje a situação é um pouco diferente – ainda que a resistência não tenha diminuído de forma tão significativa.

Em recentes matérias no Site Mistérios do Mundo, foram levantadas discussões que expunham diversas das teorias que hoje são consideradas como possíveis pelos cientistas. Duas delas foram: Cientistas propõem teste para sabermos se nosso universo é uma Matrix ) e ( 10 razões que indicam que vivemos em uma simulação de computador ).

Elas buscam mostrar as variadas proposições discutidas pelos cientistas: teorias sobre múltiplos universos, o universo holográfico, e até mesmo um universo virtual executado a partir de um “supercomputador” de uma civilização mais avançada.

Esta ideia da “simulação” foi aprofundada pelo filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, que propôs o chamado “Argumento da Simulação” analisando os motivos e a probabilidade de que estejamos vivendo em uma simulação (Matrix).

Nick Bostrom propõe que a ideia do filme Matrix sobre a forma como os humanos são usados como fonte de energia é absurda, mas acabou por trazer à tona ao grande público a possibilidade da simulação. Também fez com que passássemos a questionar e refletir mais sobre a natureza da nossa realidade.

E que base, aponta ele, temos para considerar isto mais a sério?

Como qualquer hipótese, o Sr. Bostrom parte de pressupostos iniciais, que simplificamos aqui: 1) Que as simulações, existindo, partem necessariamente de civilizações mais avançadas, ou seja, com condições de gerar simulações muito melhores (que nossos jogos por exemplo) e que para nós seriam realísticas a ponto de ser indiferenciáveis daquilo que consideramos realidade, e; 2) Que seja possível ter consciências ou mentes, implantadas tanto em criaturas de carbono (como nós mesmos) como em seres artificiais, baseados em avançados processadores de silicone. Sendo tudo isto considerado plausível de ser deduzido a partir do que vemos ser possível fazer hoje com nossa própria ciência.

Com esta base ele parte para 3 alternativas, inicialmente de igual peso em possibilidade, que seriam:

(a) Que as chances de que uma espécie em nosso nível atual de desenvolvimento possa evitar se extinguir antes de se tornar tecnologicamente madura são extremamente pequenas;

(b) Que quase nenhuma civilização tecnologicamente madura estaria interessada em “rodar” e participar de simulações de computador sobre mentes como as nossas (bem mais primitivas);

(c) E alternativamente, que você esta quase certamente dentro de uma simulação.

Cada uma destas alternativas pode parecer à primeira vista absurda, ainda assim uma delas deve ser verdadeira, uma vez que “nós estamos aqui”. E estamos (c) ou não (a e b) em uma simulação.

Analisando de forma intuitiva:

Supondo que (a) é falso, então uma boa parte das espécies de nosso nível de desenvolvimento se torna tecnologicamente madura. Supomos ainda que (b) é falso também. Então uma parte significante das espécies que chegam a maturidade tecnológica vai usar seu potencial computacional para rodar simulações para experimentar mentes como as nossas. Mas, o número de mentes simuladas que teriam de “rodar” seria astronomicamente grande. Então pelo “fraco princípio da indiferença”, você teria de pensar que será mais fácil que você seja uma destas mentes simuladas, do que realmente ser uma das exceções usando neurônios biológicos. Ou seja, existindo a possibilidade de simulação é mais provável que sejamos uma das muitas pessoas simuladas que uma das poucas “reais” participando.

Então, se você pensa que (a) e (b) são falsas, deveria aceitar a opção (c). Não é coerente rejeitar as três proposições. Na verdade não temos informação suficiente para dizer qual das três é verdadeira.

Vamos considerar as opções com um pouco mais de detalhe. A possibilidade (a) é relativamente direta. Por exemplo, talvez exista uma tecnologia altamente perigosa que cada civilização avançada desenvolva, e que então a destrua. Esperemos que não seja o caso, mas se for, não somos uma simulação e possivelmente nos destruiremos em breve.

A possibilidade (b) requer que exista uma alta convergência entre as civilizações altamente avançadas: que elas não queiram rodar simulações de mentes como as nossas, e que quase nenhuma delas tenha indivíduos relativamente ricos que estejam desejando participar e estejam livres para fazê-lo. Podemos imaginar varias razões que possam levar algumas civilizações a não “rodar” simulações, mas para (b) ser a verdadeira, virtualmente todas as civilizações teriam de fazer isto. Se isto fosse verdade, iria constituir uma interessante restrição à futura evolução de vida avançada inteligente. Ou seja, parece mais viável que se (b) é a verdadeira há fortes chances de que pelo menos alguma “rodaria simulações”, aumentado nossas chances de estar dentro de uma.

A terceira possibilidade é filosoficamente mais intrigante. Se (c) é correta, você esta quase certamente agora vivendo em uma simulação de computador criada por uma civilização avançada.

Que tipo de implicação empírica isto teria? Como isto ia mudar seu estilo de vida?

Primeiro, fica bem claro que não faz sentido mudar sua vida nem fazer loucuras, seja qual for a verdade.

Se os “supostos simuladores” não quiserem que saibamos disto, provavelmente jamais descobriremos algo significativo. Mas se eles decidirem se revelar, facilmente poderiam fazê-lo. Talvez eles te mandassem uma mensagem em uma tela “pop-up” que se abriria diante de você ou te fizessem um “upload” para o mundo deles.

Outro ponto que nos permitiria concluir com alto grau de confiança que estamos em uma simulação seria se chegássemos nós mesmos ao ponto de gerar nossas próprias simulações . Se fizéssemos isto, seria uma forte evidência contra (a) e (b). E isto nos deixaria somente com (c).

Isto tudo pode ficar bem complexo, mas supondo probabilidades iguais 33% para cada uma das 3 proposições, e como as duas seguintes são favoráveis a simulação, uma conclusão preliminar sem dados adicionais, nos estimaria a grosso modo 66% de chance que você seja um ser simulado.

4 ideias sobre “Nick Bostrom – Há boas chances de que você seja uma pessoa simulada (em uma realidade virtual na Matrix”

  1. Minha cabeça chega a dar um nó quando penso nesse assunto… Acho tudo muito plausível, ao mesmo tempo surreal.

    É possível que estejamos dentro de uma simulação e, por se tratar de um computador, não tenha se passado sequer um segundo no “mundo real” . Toda a nossa existência pode estar/ter ocorrido em milésimos de segundos, dentro da máquina.

    Uma outra coisa interessante: E se as simulações são feitas para entender o motivo da opção (a) ocorrer em todas as simulações? talvez sejamos meras cobaias, sendo estudadas para entender os motivos que levam a grande parte das simulação terminar em extinção.

      1. As civilizações potenciais discutidas no artigo são teóricas claro, não aquelas conhecidas da nossa historia. Supondo-se que algumas civilizações que alcançaram nível tecnológico suficiente para se autodestruir, provavelmente o fizeram e não teriam chegado ao ponto de poder criar simulações desta qualidade… ou se não se destruíram, poderíamos provavelmente agora ser fruto de uma destas simulações… São as possíveis hipóteses do Nick Bostrom…
        Já o Tom Campbell, e sua My Big TOE, propõem algo mais corajoso, onde a simulação ocorre dentro de uma consciência fonte, que é a origem de tudo… bem mais ousado e independente de computadores “materiais”…

    1. Como diz o Tom Campbell analisar estes temas “fora da caixa” pode gerar alguns pensamentos bem grandes, mas nada fora da capacidade elástica da nossa mente/cérebro/consciência possa se esticar e alcançar… Realmente os niveis de realidade da nossa, para as mais profundas, parecem ter relógios diferentes, cada um funcionando a um nível mais básico e rápido, que permite a “computação” com facilidade dos níveis mais próximos de nós. Lembra um pouco o que vemos no filme “A Origem” onde vemos todas aquelas cenas de um sonho dentro de outro, e alguns parecendo câmara lenta em relação ao outro. Mas pela proposta do Tom, quanto a questão das cobaias, a consciência fonte, que gera tudo e também nossa realidade suposta física-material, e nossos avatares, também gera nossas consciências individuadas, partes dela mesma, dentro de cenário simulado para aprendizado… é tudo muito interessante… Somos possivelmente parte de nossa própria experiencia…. e não cobaias…

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